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(Re)visitando o Brejo Parahybano

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Thomas Bruno Oliveira*

Na última quarta-feira (27/01), estive na úmida região do Brejo parahybano. O objetivo era fazer um pré-lançamento do livro ‘Ensaios de Arqueologia’ (Eduep, 2009), atendendo a convite do Professor da UEPB (Campus de Guarabira) Carlos Antônio Belarmino Alves, figura conhecidíssima em todo o Brejo, sobretudo em Guarabira.

É com imenso prazer que viajo por toda Parahyba e não perco uma só oportunidade de vislumbrar a paisagística alpestre daquela região serrana, seus engenhos, suas antigas senzalas, suas plantações de cana e toda aquela aura bucólica, testemunho de um sobranceiro passado, tempos de um ‘Fogo vivo’ para um ilustre ‘menino de engenho’! Fui com o amigo Professor Juvandi Santos (também do Campus brejeiro, com residência em Campina Grande), pois além da satisfação em (re)visitar a Rainha do Brejo, não poderia negar um honroso convite para uma atividade tão relevante, já que dispensamos tantos esforços para estudar e preservar nosso passado.

Por sua vez, o Professor Belarmino tinha sido convidado pelo jornalista Eraldo Luiz, da Rádio Guarabira FM, que em conversa ficou sabendo da nova publicação e achou por bem convidar alguns autores para ‘pré-lançar’ a obra sob as bênçãos da padroeira Nossa Senhora da Luz (que era festejada durante toda semana com uma grande festa – seu dia é 02 de fevereiro) e do Frei Damião de Bozzano, personalidade presente em imponentes imagens, cuja maior encontra-se no alto da serra que delineia a zona urbana de Guarabira, que aliás, recebe uma multidão de romeiros todos os anos.

Pois bem, fomos conceder entrevista ao jornalista Eraldo em seu programa diário que ganha o mundo entre as 18h00 e 19h00, não só na área de alcance do sinal, abrangendo mais de 90 municípios do Brejo, Vale do Mamanguape, Vale do Paraíba e litoral norte, como também os internautas que escutam a emissora através da internet, através deste portal.

A obra, que já está nas principais livrarias, possui dez capítulos de nove pesquisadores colaboradores, abordando diversas temáticas de estudos complementares à ciência arqueológica. Sua organização ficou a cargo do Professor Dr. Juvandi, Vice-Presidente da Sociedade Paraibana de Arqueologia – SPA. No livro tive a oportunidade de dividir espaço com pesquisadores de todo o Brasil, escrevendo o capítulo: ‘Sambaquis: cultura ainda não estudada na Paraíba’, texto escrito em parceria com o amigo e pesquisador Prof. Vanderley de Brito (Presidente da SPA), discussão inédita no Estado.

Em uma conversa descontraída, Eraldo fez com que seus expectadores pudessem conhecer este importante material para os novos estudos arqueológicos, tivemos inclusive a participação de ouvintes, momento em que contribuímos com o esclarecimento de várias questões referentes a temática e por fim, fora das dependências da rádio, estudantes nos procuraram para obterem maiores informações.

Mais uma vez realizamos uma atividade completa de êxito, deixamos o Brejo e a tradicional Festa da Luz com um gostinho de saudade, imaginando a próxima oportunidade de sentir seus ares, seu aconchegante clima, seus sabores…

*Autor do Livro ‘Serra de Bodopitá: pesquisas arqueológicas na Paraíba’, Diretor da Sociedade Paraibana de Arqueologia-SPA, Sócio do Instituto Hist. e Geog. do Cariri e do Neab-í/UEPB. (thomasarqueologia@gmail.com)

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Festival de Inverno anima a cidade de Campina Grande

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Foto: Lara, Gitana e Tan (TB)

Numa certa manhã de inverno, fui convidado a assistir o lançamento do Festival de Inverno de Campina Grande. Nunca havia participado de um lançamento como esse, apesar de estarmos no 41º ano ininterrupto do evento. Ali, imaginei encontrar a baluarte da Cultura de Campina Grande, minha amiga e confrade do Instituto Histórico de Campina Grande Eneida Agra Maracajá (e a encontrei!) mas não só isso, estavam lá os ativistas culturais Walter Tavares, Erasmo Rafael, Mirna Maracajá; nomes do turismo como Romero Rodrigues, Catarine Brasil; músicos e artistas compondo uma plêiade de estrelas de raro brilho. Os expoentes da cultura de Campina Grande estavam ali, no Memorial Severino Cabral, centro da cidade.

Ocupei um dos assentos reservados para os convidados, observando a arquitetura, os lustres, detalhes de canto, a meia parede de madeira entalhada… tudo compunha um cenário poético, onde o Festival de Inverno era a personagem principal.

Entra o cerimonial e convida a cantora Gitana Pimentel para desfilar sua voz, deslumbrando aquele momento. Gitana, de madeixas loiras, sorriso terno e voz suave, ao som das cordas de um violão, cantarolou a composição mais famosa de Edson Conceição e Aloísio Silva, o samba “Não deixe o samba morrer”, para o delírio dos presentes. Não por menos, o Festival homenageia os 100 anos do samba, tema principal que ouvimos por todo aquela manhã. Se juntaram a Gitana os músicos campinenses Tan e Lara Sales. Lara, com voz firme e envolvente, canta Elis Regina. A este momento, a aura do Festival envolvia a todos em samba, a propósito, o trio ensejou um fragmento do show que fará no palco Caixa na Praça da Bandeira. O momento alto foi quando cantaram o samba-jóia “Retalhos de Cetim”, de Benito de Paula. A partir de então, palmas, gestos, risos, balançados de ombro, ninguém teve ousadia em conter-se! Além da música, tivemos no lançamento uma prévia da peça “O casamento de Trupizupe com a filha do Rei”, dirigido por Arly Arnaud.

Dança, Teatro e Música são os três seguimentos de apresentações, a programação traz nomes fortes expressivos do cenário local e nacional. A Praça da Bandeira receberá o “Palco Caixa” e o Teatro Municipal Severino Cabral também será palco de espetáculos. Nesta segunda-feira (dia 15) o evento foi aberto, em seu segundo dia houve uma expressiva intervenção da Companhia Corpo em Trânsito na Feira Central de Campina Grande, emocionando feirantes e frequentadores. Durante nove dias o Festival de Inverno promete animar a cidade com muita arte.

Confira a programação:

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Por Thomas Bruno

 

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Tracunhaém, os Potiguaras e a conquista da Parahyba

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Foto: DE/UFPB

O Rio Tracunhaém, na atual região fronteiriça (PB/PE), foi palco de um interessante acontecimento da história da Paraíba. Ali, índios Potiguara trucidaram um engenho e todos os seus moradores, episódio que ficou conhecido como ‘Massacre de Tracunhaém’ sendo referenciado nos principais livros de História do Brasil e da Paraíba.

Partindo de Olinda, um ‘mameluco aventureiro’ raptou uma cunhã (do Tupi: mulher jovem) de uma aldeia Potiguara tomando-lhe como esposa; aproveitando-se da relação amistosa e comercial entre brancos e aldeias da região da Copaoba (no norte da atual Paraíba). A raptada era Iratembé, filha do chefe indígena, o Ininguassú (çú), que na oportunidade, enviou dois de seus filhos à Olinda para buscar a cunhã. Após expor o fato ao ‘Governante das Terras do Sul’ Antônio Salema (que estava em Olinda), tiveram o pedido atendido e Salema ainda deu provisão aos índios para não serem molestados no caminho. Chegando a Tracunhaém, os três filhos de Ininguaçú pernoitaram no engenho de Diogo Dias, que encantado com a moça, a ocultou de seus irmãos. Mesmo vendo a provisão de Salema, Dias desconversou e os irmãos retornaram à Copaoba, informando o sucedido.

Confiante na negociação, Ininguaçú enviara outros (não se sabe quantos) emissários para o intento, só que Dias dissimulava e envolvia-os com palavras enganosas. Neste momento, Ininguaçú resolve buscar sua filha ‘quebrando a paz’, e para o intento, milhares de índios se deslocaram para Tracunhaém, chegando em plena madrugada, esperando o amanhecer para pegar de assalto os moradores. Horácio de Almeida, em sua História da Paraíba (1978), afirma que este reclame indígena tenha sido fomentado pelos franceses, que por comercializar Pau-Brasil com os Potiguara, temiam o instinto colonizador do português. Aliás, esta é a opinião de historiadores como Irineu Pinto (1909) e Maximiano Machado (1912).

Diogo Dias, que possuía um fortim dentre um cercado de pau a pique, rechaçou um pequeno grupo, saindo para o campo aberto, indo de encontro a uma inúmera quantidade de índios que estavam à espreita, no mato, prontos para dominar a propriedade. Cercado pelos Potiguara, Diogo já não tinha lugar seguro para se abrigar e foi derrotado. Segundo Maximiano Machado, mais de 600 pessoas morreram no enfrentamento, dentre estes, índios domesticados, escravos, parentes e o próprio Diogo Dias; a propriedade foi saqueada e incendiada, ficando um ‘monte de ruínas’ como afirmou Almeida, o que assanhou os indígenas pela fácil e trucidante vitória.

O morticínio assustou a metrópole, que viu a ameaça indígena e francesa sob suas posses, determinando a criação da Capitania Real da Parahyba (no papel) em 1574 sendo determinante para a sua posterior conquista no acordo de paz em 05 de agosto de 1585 entre o capitão João Tavares e o chefe indígena Piragibe numa colina defronte ao rio Sanhauá, marco fundante da Paraíba. Tracunhaém mostrou o poderio nativo, uma resposta incisiva, que mudou os rumos da História do Brasil.

Por Thomas Bruno Oliveira*

*Historiador e Jornalista, Sócio do IHCG e da SPA.

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Destaque

A/DEUS, Detinha – Homenagem por Marisa Alverga

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A/DEUS, Detinha

Você partiu, assim, inesperadamente. Sem até logo , sem despedida ou adeus.

Pegou uma cidade inteira de surpresa. Ninguém esperava por isso, até porque não era do seu feitio alardear  suas atitudes, causando impacto com o seus feitos.

Você se foi silenciosamente, sem alarde, assim como viveu.  Os seus atos não eram anunciados com uma trombeta, mas, diríamos, como um violino, suavemente.

Não consegui esquecê-la nem por um momento, imagino, portanto, como tem sido difícil para os seus filhos, seu esposo, sua  família, enfim.

Costumo dizer que ninguém morre de uma vez. A gente vai morrendo aos pouquinhos na morte dos  que amamos. Cada um que vai leva um pedacinho da gente e a vida nunca mais será a mesma.

Não pretendo aqui falar dos seus méritos como professora, educadora. Guarabira inteira conhece os seus feitos, inclusive quando assumiu a Secretaria de Educação do município recebeu uma Medalha de Ouro outorgada pelo MEC por um projeto denominado LER, ESCREVER E CONTAR. Quero, apenas, despedir-me de você, dando-lhe o meu adeus, recordando tanta coisa que fizemos juntas.

Uma vez  fomos – você e eu – a uma cidade vizinha contratar um palhaço para uma apresentação no Colégio e voltamos com o circo inteiro, o que causou estranheza no corpo docente do Educandário e a nossa resposta foi suscita: o mundo pertence aos ousados. Os que pensam muito acabam não fazendo nada.

Deus é mistério e mistério não é para ser entendido e sim para ser aceito. Há muito deixei de interrogá-Lo com os meus “porquês”. Por exemplo, havia mesmo necessidade de você ir agora? Que falta você estava fazendo no Céu? Deus, por certo,  tem outro planos, uma vez que na Terra a sua missão foi concluída.

A/DEUS, Detinha, que o seu reencontro com Ele seja eivado daquele amor que você distribuiu pelo mundo. Ele, certamente, vai se lembrar  quando deu de comer a quem tinha fome, visitou um doente no Hospital, ou no cárcere quando levou lenitivo a um detento ou ainda quando cobriu a nudez dos desvalidos da sorte que só dispunham de jornal para aquecê-lo nas noites frias e sem luar.

Ele não vai esquecer do ancião  que encontrou a sua mão substituindo a do filho que não se lembrou de que se não fosse ele, o outro nem vida teria.

Ele, onisciente e onipresente, estava na porta do Paraíso para recebê-la e abraçá-la com um ramalhete de violetas com as folhas em forma de coração.

Aí, onde você hoje está, nada mais poderá feri-la, a calúnia e a inveja não mais a alcançarão. Afinal, você  hoje, como filha predileta, é hóspede de Deus.

Seja feliz, Detinha. A serenidade  foi  sempre a sua marca registrada e foi serena que você ao encontro  Dele.

A nós, que aqui ficamos, resta a SAUDADE, sem perfume e sem beleza, mas nem por isso deixa de ser saudade.

A/DEUS Detinha. Até um dia. Quando? Sabe Deus.

 

Marisa Alverga

Guarabira, 24 de outubro e 2015

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