Paraíba
Número de feminicídio na PB será divulgado em agosto e medidas de enfrentamento serão implantadas pelo TJ
Números de uma pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), revelaram que a Paraíba detém uma estatística preocupante de feminicídio. Segundo o levantamento divulgado no ano passado, o Estado possui uma taxa de 5,3 assassinatos, para cada grupo de 100 mil mulheres. Estamos em 12º lugar, no País, atrás dos estados de Sergipe, Ceará e Alagoas. Só este ano, mais de 30 mulheres já foram assassinadas e a quantidade de vítimas não para de crescer.
Com o objetivo de atualizar esses números e os processos que tramitam em todo o Poder Judiciário estadual, com a qualificadora de feminicídio, a Corregedoria Geral de Justiça da Paraíba editou um provimento para que essas ações sejam identificadas com uma tarja de cor rosa. Mais de 100 cartórios judiciais espalhados por quase todas as comarcas paraibanas, com competência de Tribunal do Júri (homicídio ou tentativa de homicídio) receberam esse provimento e têm até esta sexta-feira (20) para enviar seus respectivos relatórios, especificando esse tipo de ação penal. O resultado do esforço conjunto será divulgado na primeira quinzena de agosto.
“Depois de atualizados os processos, vamos implementar, no âmbito do Poder Judiciário estadual, diretrizes de enfrentamento ao feminicídio. Para se ter uma ideia, só este ano, já foram assassinadas mais de trinta mulheres. Precisamos saber quais desses homicídios são, efetivamente, feminicídios”, comentou a coordenadora da Mulher em Situação de Violência do Tribunal de Justiça da Paraíba, a juíza titular Vara Única da Comarca de Lucena, Graziela Queiroga Gadelha de Sousa.
A tarja cor de rosa, na opinião da coordenadora, servirá para identificar o processo e facilitar a correção dos dados numéricos relativos a essa tipificação criminal. Por outro lado, vai fazer com que magistrados e servidores possam ter uma atenção diferenciada para os processos envolvendo a morte violenta de mulheres.
A magistrada informou, ainda, que o Tribunal de Justiça da Paraíba, por meio da Coordenadoria da Mulher, vem dando especial atenção à questão, principalmente quanto à subnotificação. Para Graziela, há muitos casos de mortes de mulheres, na Paraíba, que não estão classificados com a notificação de feminicídio. “Temos inconsistência quanto aos números. A Lei do Feminicídio é, basicamente, nova. Entrou em vigor em março de 2015, e, de lá para cá, os dados referentes a esses crimes não são reais. É preciso um estudo mais apurado para identificá-los”, observou.
Atuação externa – A juíza Graziela relatou que a Coordenadoria passou a integrar um grupo de trabalho que está fazendo um estudo qualitativo e quantitativo dos casos envolvendo morte de mulheres na Paraíba. Desse grupo fazem parte a Delegacia Geral de Mulheres, a Secretaria da Mulher e da Diversidade Humana, a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e outros segmentos da rede de proteção à mulher vítima de violência.
A magistrada destacou como uma iniciativa importante a recente Lei n° 11.166/2018, que instituiu o Dia Estadual de Combate do Feminicídio na Paraíba. A data será lembrada, anualmente, no dia 19 de junho, quando a sociedade civil organizada poderá promover campanhas, debates, seminários, palestras, entre outras atividades, para conscientizar a população sobre a importância do combate ao feminicídio e demais forma de violência contra a mulher.
No final de maio, a juíza representou o Tribunal de Justiça da Paraíba em uma Audiência Pública, para discutir a implantação do Protocolo de Feminicídio no Estado, em adesão à iniciativa realizada no País pela ONU Mulheres Brasil – órgão da Organização das Nações Unidas. Uma das palestrantes do evento foi a consultora de Enfrentamento à Violência da ONU, Aline Yamamoto, que fez uma explanação sobre “Diretrizes para investigar, processar e julgar com perspectiva de gênero as mortes violentas de mulheres (feminicídio)”.
Feminicídio no Brasil – Em sua explanação, Yamamoto disse que no Brasil, a média é de cinco mil assassinatos de mulheres por ano. Desse total, metade diz respeito a feminicídio. “O Estado tem que melhorar a resposta que dá à questão de assassinatos de mulheres no País. O Brasil é o quinto País com maior número de assassinatos de mulheres no mundo. É uma situação preocupante. Precisamos dar uma resposta que seja coerente com os diretos da mulher, que são: direito à Verdade, à Memória e à Justiça”, alertou.
É considerado feminicídio o homicídio contra a mulher por razões da condição de sexo feminino. A pena de reclusão vai de 12 a 30 anos. O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. Normalmente é um homem, mas pode ser outra mulher. Já o sujeito passivo, obrigatoriamente, deve ser uma pessoa do sexo feminino, criança, adulta ou idosa.
Comissão Parlamentar Mista de Inquérito sobre Violência contra a Mulher, em seu relatório final, define o feminicídio como sendo a instância última de controle da mulher pelo homem: “o controle da vida e da morte”. Continua o texto: ele se expressa como afirmação irrestrita de posse, igualando a mulher a um objeto, quando cometido por parceiro ou ex-parceiro; como subjugação da intimidade e da sexualidade da mulher, por meio da violência sexual associada ao assassinato; como destruição da identidade da mulher, pela mutilação ou desfiguração de seu corpo; como aviltamento da dignidade da mulher, submetendo-a a tortura ou a tratamento cruel ou degradante.”
Legislação – A Lei nº 13.104/2015 alterou o artigo 121 do Decreto-Lei nº 2.848/1940, para prever o feminicídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio, e o artigo 1º da Lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990, para incluir o feminicídio no rol dos crimes hediondos. Para especificar o crime de feminicídio, foi acrescentado ao Código de Processo Penal (CPP) o § 2-A do Artigo 121.
Por Fernando Patriota/TJPB
Cultura
Governador sanciona lei que cria o Dia do Quadrilheiro Junino na Paraíba
O governador Lucas Ribeiro (PP) sancionou a Lei nº 14.585, que institui o Dia do Quadrilheiro Junino na Paraíba. A norma foi publicada na edição desta quarta-feira (1º) do Diário Oficial.
A nova data será celebrada anualmente no dia 27 de junho e passa a integrar o Calendário Oficial de Eventos do estado.
“Considera-se Quadrilheiro Junino, para efeitos desta Lei, o profissional que utiliza meio de expressão artística cantada, dançada ou falada transmitido por tradição popular nas festas juninas”, destaca o texto.
De acordo com a lei, de autoria do deputado Galego Souza, o objetivo da criação da data é “valorizar e fortalecer o patrimônio imaterial, as expressões culturais e os profissionais responsáveis pela disseminação dos festivais de quadrilhas juninas.”
MaisPB
Paraíba
Governo da Paraíba realiza IV Seminário Estadual de Enfrentamento ao Trabalho Infantil
O Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano (Sedh), realizou no Auditório do Sebrae, em João Pessoa, nessa segunda-feira (15), o IV Seminário Estadual de Enfrentamento ao Trabalho Infantil. Com o tema “Trabalho Infantil: Desafios Contemporâneos e Estratégias de Intervenção nos Territórios”, o evento marca o lançamento da Campanha Estadual de Enfrentamento ao Trabalho Infantil e adere à Campanha Nacional “Cartão Vermelho ao Trabalho Infantil”, promovida pelo Governo Federal em uma mobilização nacional em torno do Dia Nacional de Combate ao Trabalho Infantil (12 de junho).
O espaço de reflexão, diálogo e fortalecimento das estratégias de prevenção e enfrentamento às violações de direitos de crianças e adolescentes, reafirma o compromisso do Governo da Paraíba com a promoção de garantia dos direitos da infância e adolescência por meio de ações articuladas entre Estado, municípios, Sistema de Garantia de Direitos, Sistema Único de Assistência Social (SUAS), órgãos de Justiça e sociedade civil.
O Evento reuniu profissionais de toda a Paraíba, como autoridades do judiciário e outros representantes das políticas públicas envolvidas com o tema. Entre os presentes, estiveram gestores, representantes e técnicos da Sedh, MPT, TRT, Famup, Coegemas, Cedca, Ceas, Fepeti, Creas, Cras, Associação de Conselheiros Tutelares e CPA.
A secretária Estadual do Desenvolvimento Humano, Neide Nunes, destacou a importância da intersetorialidade e orientou os profissionais a dialogar mais com os territórios, avançar na socialização e nas campanhas em combate ao trabalho infantil. “A gente precisa, enquanto formadores de políticas sociais, ouvir mais os municípios e criar estratégias para enfrentar o trabalho infantil”.
Segundo a secretária da Sedh, o trabalho infantil é uma das violências mais danosas para a vida de uma criança. “No momento em que a criança deveria estar aproveitando e crescendo, dentro de suas inúmeras possibilidades, ela está ali trabalhando para sobreviver. Então, que nós saiamos daqui com essa grande missão de refletir: o que eu preciso para diminuir essa situação do trabalho infantil no meu município?”.
O procurador do Trabalho, Raulino Maracajá Coutinho Filho, explicou que “para eliminar totalmente a chaga social que é o trabalho infantil, precisamos atuar em várias formas: na parte repressiva, através de ações e intervenções do Estado, de forças policiais, do Ministério Público, do Ministério do Trabalho; na parte assistencial, através do cadastramento dessas famílias com crianças e adolescentes em cadastros assistenciais, verificando se elas estão indo à escola; e na parte preventiva, que é justamente isso aqui hoje. São eventos como esse que fazem com que debatamos esses assuntos e as pessoas entendam que o trabalho infantil realmente só traz malefícios, não traz benefício algum para a vida adulta daquela criança ou adolescente. O trabalho infantil ocasiona analfabetismo funcional e evasão escolar”, frisou.
A representante do Colegiado Estadual de Gestores Municipais de Assistência Social da Paraíba (Coegemas), Sofia Ulisses, alertou sobre a importância de identificar os trabalhos infantis ainda na subnotificação e o perigo desse momento, propício para o trabalho infantil devido às festas juninas.
De acordo com a presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da Paraíba (Cedca/PB), Marília França, “o IBGE disse, no ano de 2025, que no Brasil ainda tem 1,5 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil. E esse dado revela que, por mais que existam avanços, a questão ainda é presente. E a gente precisa fortalecer nossa rede de proteção, fazer formação contínua dentro dos territórios para que consigamos combater o trabalho infantil. E essa é uma responsabilidade de todos nós”.
O representante da Comissão de Participação de Adolescentes da Paraíba (CPA/PB), Kevin Gabriel, de 13 anos, deixou um recado claro: “Criança tem que estudar, brincar, sonhar, correr na rua, jogar bola, sem preocupações. Quando criança trabalha, ela perde tudo isso. Ela perde a escola, perde o tempo de ser criança, perde o futuro. Trabalho infantil não é só pesado para o corpo, ele acaba com a mente. Tira a chance de aprender, de escolher uma profissão, de crescer com saúde. Muitas vezes esses trabalhos vêm junto com exploração e perigo. A gente não nasce para carregar peso de adulto nas costas. A gente nasceu para crescer, para estudar, para ser o que quiser quando crescer. Por isso todo mundo aqui hoje para dizer: chega de trabalho infantil! Toda criança tem direito de ir à escola, ao lazer, a uma infância segura! Respeite quem ainda está crescendo! Nós crianças e adolescentes merecemos um futuro, não o cansaço! Chega de trabalho infantil!”.
Secom
Paraíba
Polícia Civil inaugura nova Central de Polícia de Mamanguape com investimento de R$ 4,5 milhões
A Polícia Civil da Paraíba inaugurou, na noite desta quarta-feira (17), a nova sede da Central de Polícia de Mamanguape. O prédio moderno, estruturado e equipado passa a oferecer melhores condições de trabalho para as equipes policiais e de atendimento à população da região. O investimento na construção do prédio foi de R$ 4,5 milhões.
A nova unidade será utilizada para comportar a estrutura da 7ª Delegacia Seccional de Polícia Civil (DSPC), da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Mamanguape, do Núcleo de Homicídios e do Grupo Tático Especial (GTE) da 7ª DSPC, além do polo de plantão responsável pelo atendimento da área de abrangência da seccional. A construção da nova Central de Polícia reforça o compromisso do Governo do Estado e da Polícia Civil da Paraíba com a modernização das estruturas de segurança pública e a melhoria das condições de atuação dos policiais.
A solenidade de inauguração contou com a presença do governador do Estado da Paraíba, Lucas Ribeiro; do secretário de Estado da Segurança e da Defesa Social, Jean Nunes; do delegado-geral da Polícia Civil da Paraíba, André Rabelo; além de autoridades, representantes das forças de segurança e demais convidados.
O delegado-geral da Polícia Civil da Paraíba, André Rabelo, ressaltou que a entrega da nova estrutura representa um avanço para a instituição e para o atendimento à sociedade.
“Esse dia de hoje é um marco para nossa instituição. Não é apenas a entrega de um prédio, mas a concretização de uma série de realizações que estão sendo desenvolvidas pelo Governo do Estado junto à Polícia Civil. Este equipamento vai trazer conforto, segurança e qualidade no atendimento, não apenas à população de Mamanguape e região, como também aos servidores que aqui vão desempenhar suas funções, de maneira muito mais efetiva, contribuindo para a segurança pública do Estado da Paraíba”, comentou André Rabelo.
A nova Central de Polícia irá beneficiar aproximadamente 160 mil habitantes dos 11 municípios que integram a 7ª Área Integrada de Segurança Pública (AISP), garantindo uma estrutura mais adequada para o desenvolvimento das atividades de investigação, atendimento e combate à criminalidade.
A entrega da unidade reafirma o compromisso da Polícia Civil da Paraíba com a valorização dos seus profissionais, a ampliação da capacidade operacional e a prestação de um serviço cada vez mais eficiente à população.
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Ascom/PCPB
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