Educação
Inscrições abertas para curso gratuito de Gastronomia em Guarabira
O Núcleo de Cultura está com inscrições abertas para o Curso Gratuito de Gastronomia, em Guarabira (PB), com foco na valorização e preservação das receitas tradicionais brasileiras. A iniciativa é voltada para pessoas que desejam ingressar no mercado de trabalho ou empreender na área da gastronomia, promovendo qualificação profissional e geração de renda.
Ao longo de suas edições, o curso já proporcionou mais de 400 oportunidades de formação para jovens da região, fortalecendo o acesso à cultura e à profissionalização. As inscrições seguem abertas até o dia 27 de fevereiro de 2026, por meio de link disponibilizado, e as aulas terão início em 06 de março.
Com carga horária total de 196 horas, os participantes terão acesso a toda a estrutura necessária para o desenvolvimento das atividades, incluindo uniformes e materiais de apoio. O conteúdo programático contempla temas como preparação de entradas, pratos principais, sobremesas e brunchs; técnicas de corte e cocção; releituras da culinária tradicional; cardápios temáticos; cozinha clássica e contemporânea; além de montagem, finalização e organização de pratos.
O curso também abordará a importância nutricional das proteínas, com ênfase nas carnes de frango e suína, além de discutir mitos e verdades sobre a avicultura e a suinocultura. As aulas serão complementadas por materiais audiovisuais da série “Alimentando o Mundo”, produzida pela Farmabase e apresentada por Michele Crispim, vencedora do MasterChef Brasil, proporcionando uma abordagem prática e informativa.
A iniciativa conta com patrocínio da Farmabase, apoio da Prefeitura de Guarabira, através do Programa Participa+ da Secretaria de Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico, e da EESAP, e é realizada pelo Instituto São Paulo de Arte e Cultura, em parceria com o Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Serviço:
Inscrições: até 27 de fevereiro de 2026
Início das aulas: 06 de março de 2026
Carga horária: 196 horas
Local: EESAP – Rua Otacílio Lira Cabral, nº 100, Bairro Areia Branca – Guarabira/PB
Vagas: limitadas
Turma única:
- Quarta e sexta-feira: 19h às 22h
- Sábado: 9h às 16h (com intervalo de 1h)
Secom/PMG
Educação
Aquário Paraíba transforma visitas escolares em experiência de educação ambiental
Único aquário temático da Paraíba, o espaço oferece programação pedagógica estruturada para estudantes de todas as idades e alia contato com a biodiversidade e consciência sobre preservação.
O Aquário Paraíba, em João Pessoa, consolida-se como destino de referência para o turismo educativo no estado e atrai escolas da capital e de municípios vizinhos ao longo de todo o ano. Para muitos estudantes, a visita representa o primeiro contato direto com espécies marinhas e com temas ligados à conservação ambiental, uma experiência que vai além da sala de aula.
O complexo, único aquário temático da Paraíba, abriga cerca de 150 animais de aproximadamente 80 espécies, entre peixes, elasmobrânquios, crustáceos, moluscos, répteis, aves e pinguins-de-Magalhães resgatados. Os ambientes foram concebidos para retratar ecossistemas de forma imersiva e conduzem o visitante por uma jornada pela biodiversidade marinha e terrestre da região.
Para grupos escolares, o Aquário Paraíba oferece o passeio “Desvendando as Criaturas Marinhas e Espaço das Aves”, com programação pedagógica adaptada a diferentes faixas etárias. A visita inclui exibição de vídeo no auditório, visitação monitorada por profissionais especializados e área para lanche. A duração é de aproximadamente uma hora e meia.
“O Aquário Paraíba é mais do que um espaço de lazer, é um verdadeiro laboratório vivo. Nosso objetivo é que as crianças aprendam se divertindo, entendendo a importância da preservação dos oceanos e dos ecossistemas aquáticos”, afirma Emmanuel Lopes, diretor do espaço e engenheiro ambiental.
O percurso pode ser autoguiado ou realizado por trilha educativa e sensorial. Ao longo do circuito, os estudantes têm contato com cavalos-marinhos, tubarões, tartarugas marinhas resgatadas, que ilustram os impactos da poluição nos oceanos, répteis no serpentário e aves de diversas espécies, incluindo araras e gaviões. O espaço também atua como centro de reabilitação de animais recebidos de órgãos ambientais, o que enriquece ainda mais o conteúdo educativo das visitas.
Além do apelo pedagógico, o aquário oferece condições especiais para grupos: ingresso com meia-entrada para alunos e professores, gratuidade para estudantes com TEA, Síndrome de Down e deficiência visual (mediante apresentação de laudo), e uma cortesia para cada dez alunos pagantes.
Completando dez anos em 2026, o Aquário Paraíba planeja ampliar sua estrutura com a chegada de novas espécies e o fortalecimento do CEREM — Centro de Reabilitação de Espécies Marinhas, voltado ao atendimento e à recuperação de tartarugas marinhas.
O Aquário Paraíba fica na Rua das Lagostas, 140, Praia do Seixas, João Pessoa. Funciona de terça a domingo e feriados, das 9h às 17h. Agendamentos e informações: (83) 98620-1422 e pelo Instagram: @aquarioparaiba.
Assessoria
Educação
Infância Protegida: projeto do MPPB ensina crianças a reconhecer abuso e pedir ajuda
Seria apenas mais um dia normal na Escola Municipal de Educação Infantil Rotary Francisco Edwar de Aguiar, localizada no bairro de Jaguaribe, em João Pessoa. Mas uma novidade alterou a rotina, movimentou a tarde e encheu de expectativa os alunos dos 4º e 5º anos do ensino fundamental – crianças de 8 a 10 anos de idade. Eles chegaram em fila e ocuparam seus lugares na sala preparada especialmente para esse momento diferente. E, quando a promotora de Justiça Catarina Gaudêncio começou a falar, os rostinhos estavam atentos e as mãos se erguiam no ar a todo instante, um sinal da vontade de compartilhar, perguntar, participar. O assunto não era fácil, mas logo ficou evidente que muitos ali tinham um bom nível de informação sobre o tema em questão: abuso sexual.
O Ministério Público da Paraíba (MPPB), por meio da Promotoria de Justiça da Criança e Adolescente de João Pessoa, lançou o projeto “Infância Protegida”. A iniciativa é liderada pela promotora de Justiça Catarina Gaudêncio, que atua na área desde 2013 e idealizou a ação como resposta ao crescimento da demanda de casos envolvendo abuso sexual e aliciamento de crianças e adolescentes, de ambos os sexos, tanto no ambiente presencial, quanto virtual. Esse cenário inclui, ainda, o aumento dos crimes relacionados à produção, aquisição, distribuição e comercialização de imagens, vídeos ou outros registros contendo cenas de exploração e abuso sexual infantojuvenil — práticas que alimentam a rede de pedofilia e contribuem para a proliferação desse tipo de conteúdo criminoso. O objetivo central é fornecer ferramentas para a autoproteção, o respeito e o direito de viver a infância com alegria e segurança. Um projeto mais que necessário no atual contexto.

Números que assustam
A percepção da promotora sobre a capital paraibana é reflexo de uma realidade preocupante no Brasil, onde a violência sexual se mantém como a forma mais recorrente de violação de direitos contra crianças e adolescentes.
De acordo com o Anuário Brasileiro da Segurança Pública, somente em 2024, foram registrados 65.395 casos de estupro e estupro de vulnerável, o que corresponde a uma taxa média de 128,5 vítimas por 100 mil habitantes na faixa etária de 0 a 17 anos, com especial incidência entre crianças de 10 a 13 anos, grupo que apresenta os índices mais elevados do país. Meninas seguem como as principais vítimas, mas o crescimento proporcional dos casos envolvendo meninos, especialmente entre 0 e 13 anos, revela uma realidade ainda mais complexa e silenciosa.
Nos últimos quatro anos, o número de denúncias de casos de exploração sexual de crianças e adolescentes recebidas pela Polícia Federal aumentou 195%. A PF realizou mais de 2 mil operações, entre janeiro de 2022 e março de 2025, contra crimes online relacionados ao abuso sexual infantojuvenil. Entre as violações mais comuns, a chantagem com fotos íntimas e o estupro virtual.
Em agosto de 2025 a ONG brasileira SaferNet, referência em direitos humanos na internet, publicou a Nota Técnica 02/2025, indicando que entre 1º de janeiro e 31 de julho de 2025, o Canal Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos registrou 49.336 denúncias anônimas de abuso e exploração sexual infantil, representando 64% do total de 76.997 notificações no período. Neste documento, além de registrar o aumento nas denúncias, a organização destaca pesquisa em andamento que evidencia como novas tecnologias, incluindo inteligência artificial, têm sido utilizadas para criar e disseminar esse tipo de conteúdo criminoso.

Embora a Paraíba apresente, em termos absolutos, uma taxa geral de estupro inferior à média nacional, os dados do Anuário revelam um crescimento preocupante dos registros. Entre 2023 e 2024, o estado registrou a maior variação percentual nacional nos crimes de estupro de vulnerável, com aumento superior a 100%, tanto nos casos envolvendo vítimas do sexo feminino quanto nos registros que incluem ambos os sexos.
A prevenção é hoje uma das ferramentas mais eficazes para romper ciclos de violência que, em grande parte dos casos, ocorrem no ambiente doméstico ou são praticados por pessoas próximas às vítimas. Ensinar a reconhecer as situações de abuso e se proteger é o que o Ministério Público pretende, com a iniciativa Infância Protegida.
Metodologia e dinâmica
A aula piloto do projeto Infância Protegida foi realizada em novembro passado na Escola Municipal de Educação Infantil Rotary Francisco Edwar de Aguiar, em Jaguaribe. A unidade atende 198 alunos, do pré-escolar ao 5º ano do ensino fundamental. Nesta etapa inicial, o projeto focou em turmas dos 4º e 5º anos, atendendo crianças de 8 a 10 anos de idade. Uma psicóloga acompanhou a preparação do material para orientar sobre a adequação da linguagem, garantindo que os temas fossem abordados de maneira acessível e segura para o público infantil.
De forma lúdica, ao longo da tarde, a promotora de Justiça explicou sobre as partes do corpo, as diferenças entre os comportamentos adequados e inadequados, como identificar alguém mal intencionado e o que as crianças devem fazer em situações potencialmente perigosas.
Um dos destaques da apresentação foi o perigo escondido no mundo virtual, na internet. Usando bonecos confeccionados especialmente para tratar desse tipo de conteúdo – as crianças adoraram Lia e Pedro – e o livro “Não me toca, seu boboca!” que, por meio de uma história infantil, aborda a temática trazida para a sala de aula, Catarina Campos logo estabeleceu o diálogo e uma relação de confiança com os estudantes.
A tarde foi encerrada no pátio da escola, com uma espécie de “teste do conhecimento”, aplicado em forma de brincadeira, durante um teatro de fantoches conduzido pelas guardas municipais Isabel Jordão e Denise Quirino. Elas deram vida a personagens animados, para fazer perguntas relacionadas ao conteúdo discutido na sala. As crianças, por sua vez, respondiam levantando placas em formato de mãozinhas verdes ou vermelhas, para indicar “sim” ou “não”.
A Guarda Metropolitana de João Pessoa é parceira do MPPB no projeto.“Para nós é uma missão muito honrosa que amplia e fortalece ainda mais as ações que o nosso teatro de fantoches já faz na sociedade, dentro das escolas municipais, estaduais e particulares também. Foi um convite da promotora Catarina e a gente registra aqui nosso agradecimento, porque ela também acaba ampliando ainda mais, junto conosco, fazendo esse fortalecimento de atividades que a gente já faz com um compromisso e uma alegria muito grande”, diz Denise Quirino.
Isabel Jordão lembra que chegar de farda aos locais tem o intuito de fazer com que as crianças olhem o guarda municipal como alguém em quem podem confiar, perto de quem se sintam seguras. E a que podem pedir ajuda nas situações de perigo: “Estamos sempre dispostos a ajudar, e qualquer caso, como foi exposto hoje, a gente tá com o 153, é só entrar em contato que a gente vai ajudar todas as crianças e adolescentes que estiverem em risco”, afirma Isabel.

A promotora de Justiça lembra que o projeto não se restringe aos estudantes: “À medida em que conscientizamos as crianças, a gente também vai ter falas com os pais, conselheiros, algumas equipes dos Creas (os Centros de Referência de Assistência Social), para multiplicar essa fala, ensiná-los a proteger e alertá-los sobre os riscos que as crianças estão correndo, sobretudo na internet.”
Para a gestora da escola, Sabrina Kely Vasconcelos Florêncio, a iniciativa do Ministério Público é algo a ser celebrado: “Aqui a gente diz que o nosso corpo é o nosso tesourinho. Não é um assunto sazonal, é preocupação do ano inteiro. Na nossa escola temos projetos sobre isso, feitos pelas nossas psicólogas, e quando recebemos algo a mais, para contribuir com nosso projeto, como essa iniciativa do Ministério Público, a gente só tem a agradecer. Nossas crianças estão extremamente felizes em ouvir mais sobre esse tema, de muita importância não só para elas, mas para aquelas pessoas que estão ao redor, seus cuidadores.”
Futuro à vista
O sucesso da aula piloto pavimenta o caminho para a ampliação da iniciativa. A meta é implementar o “Projeto Infância Protegida” em larga escala em 2026, abrangendo o público-alvo de 6 a 10 anos de idade e fortalecendo, ainda mais, o trabalho do MPPB na defesa intransigente dos direitos das crianças paraibanas.
“A gente começa aqui nessa escola, que seria o início do que pretendemos: percorrer outras escolas, com a mesma temática “Infância Protegida” e a rede privada, porque na medida em que a criança toma conhecimento de situações de risco, ela vai conseguir identificar e se proteger, já que aqui a gente vai trazer as formas dessa proteção”, conclui a promotora.
Assessoria
Educação
EAD: os dois lados da educação à distância, segundo alunos
Estudantes que estão atualmente matriculados em graduações remotas ou que concluíram esses cursos recentemente apresentam os prós e os contras da modalidade. Crescimento desenfreado de matrículas levou MEC a regular setor com novas regras.
Todo ano, desde 2019, a educação à distância (EAD) é a modalidade mais escolhida por quem ingressa no ensino superior. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 2023, foram 3,3 milhões de novos estudantes em EAD, versus 1,67 milhão na modalidade presencial.
Em outras palavras: passamos a ter mais alunos optando por assistir às aulas em frente a uma tela do que cara a cara com o professor e os colegas.
➡️Nesta reportagem, a proposta não é focar na opinião de especialistas ou no desempenho de cada grupo no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). Especificamente desta vez, quem fala são os próprios alunos: eles fazem um balanço dos pontos positivos e negativos da modalidade à distância.
Uma jovem já formada diz, por exemplo, que “os professores não tinham didática para gravar vídeo. Foi tudo cru e raso, bem raso”. Outra declara que, “sem EAD, jamais teria conseguido fazer faculdade”.
Leia as diferentes histórias abaixo. Em seguida, entenda as últimas mudanças promovidas pelo MEC na EAD.
‘Não tem como ser uma boa profissional assim’
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Thalyta não ficou satisfeita com a graduação no formato EAD — Foto: Arquivo pessoal
Milena Gomes, de 26 anos, entrou na faculdade de Arquitetura e Urbanismo em 2022, em um esquema híbrido, com aula presencial apenas uma vez por semana. Em tese, os encontros deveriam acontecer das 7h30 às 10h30, como foco nos conteúdos práticos.
“Mas vira algo muito rápido; na última vez, foram só 20 minutos. Como os alunos vão embora, a professora não tem mais o que fazer e dispensa o resto da turma. É mais para ela corrigir um exercício feito on-line e cumprir o critério. Não tem nem chamada”, diz.
➡️Insatisfeita com a formação que está recebendo, Milena decidiu migrar para um curso presencial no próximo semestre, em outra universidade. A mudança terá um custo alto — a mensalidade saltará de R$ 350 para R$ 1.800 —, mas valerá a pena, diz ela.
“Não tem como ser uma boa arquiteta assim, formada on-line. À distância, não me sinto uma estudante: não tenho troca com os colegas, não vou aos laboratórios… Só entro em um site, com tudo gravado, e cumpro os trabalhos pedidos. Se tiver dúvida, preciso mandar por chat e aguardar uma resposta.”
Ela diz que, na turma do curso híbrido, a maioria já trabalha na área de construção, seja como marceneiro, designer de interiores ou técnico de edificação. “Elas só estão lá porque precisam do diploma. Poucas pessoas são realmente cruas como eu.”
No momento, Milena analisa a estrutura de duas faculdades privadas e presenciais de Brasília, onde mora, para escolher a opção mais completa. “Vejo colegas dizendo que a universidade onde você está é muito determinante para conseguir o primeiro estágio. Por isso, quero uma que seja referência.”
‘Sem a EAD, eu não teria conseguido. Foi o que me salvou’
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Cris é mãe e tem uma doença que aumenta os riscos de AVC — Foto: Arquivo pessoal
Cris Soares, de 40 anos, é presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e aluna do 3º ano de pedagogia da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp). Ela afirma que, se não fosse o ensino à distância, não teria sequer iniciado sua primeira graduação.
“Eu era do telemarketing. Sinceramente, sem a EAD, teria sido impossível estudar”, diz.
Cris tem uma malformação arteriovenosa no cérebro, que causa um zumbido pulsátil (barulho alto e constante na cabeça) e aumenta o risco de acidente vascular cerebral (AVC).
“Presencial, para mim, seria impossível”, afirma. O polo onde ela faz as provas fica na Famema, em Marília (SP). Se ela tivesse de ir até lá toda semana, desistiria do curso.
⌚E mais: a flexibilidade do ensino remoto permitiu que Cris conciliasse os estudos com a rotina intensa da maternidade e do estágio. “Chego em casa, almoço, fico estudando à tarde, busco minha filha na escola e volto para os livros. Posso estudar até mais de quatro horas por dia, é só organizar os horários. Flexibilidade é um ponto forte.”
Para ela, a qualidade da formação universitária depende, em grande parte, do engajamento do próprio aluno. “Vejo que as pessoas culpam a EAD pela má qualidade da educação no Brasil. Acho que [a modalidade] tem, sim, de ser regulamentada, mas a forma que tem sido feita [essa crítica] é errada. Se você se programar e se organizar, se forma”, diz.
Ela destaca a estrutura oferecida pela instituição pública onde estuda: aulas síncronas e grupos de estudo são fundamentais. “É bastante conteudista, e os facilitadores são dedicados. Tendo aula on-line ao vivo, não vejo problema algum na EAD.”
Atualmente, Cris adquire os conhecimentos práticos no estágio presencial — para ela, essa experiência é o ponto central da formação docente. “A gente só descobre se é um bom profissional na vivência dos alunos, quando coloca o pé na escola.”
‘Na graduação, foi tudo raso, parecia Youtube. Na pós, está funcionando’
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Milena mudará para a modalidade presencial no próximo semestre — Foto: Arquivo pessoal
Thalyta Soares entrou na faculdade aos 17 anos, para estudar, em regime presencial, Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Foram só dois semestres cursados, quando uma série de impasses relacionados ao Fies fizeram com que ela migrasse de instituição de ensino diversas vezes, até desistir do diploma.
Quase 8 anos depois, Thalyta decidiu retomar a graduação, só que, dessa vez, na modalidade à distância. Foi um choque de realidade, conta.
“Era basicamente um Youtube: só vídeos gravados”, diz. “E os professores não tinham didática para gravar. Acho que eles teriam ficado mais tranquilos se pudessem ver nossos rostos e perceber se estávamos entendendo o conteúdo. Mas esse formato não deixa. Foi tudo cru e raso, bem raso.”
A única interação da jovem com os colegas de sala era por grupo de Whatsapp — e de forma superficial. “Não tinha conversa, era mais um pessoal perguntando ‘e o trabalho x?’, ‘e a nota y?’. Não vi a cara de ninguém”, conta.
🖥️Agora, aos 33 anos, ela faz pós-graduação… em EAD. Dessa vez, no entanto, a experiência vem sendo positiva por duas razões: as aulas são síncronas (ou seja, alunos e docentes interagem em tempo real), e a própria Thalyta está mais focada.
“Estou fazendo um curso com um professor brasileiro que mora na Flórida. São aulas ao vivo, então, passo as noites de sexta-feira e os sábados inteiros sentada na cadeira, acompanhando. Abro a câmera, converso [com o docente] e pergunto quantas vezes eu quiser”, afirma.
“Na EAD, a pessoa precisa ser mais madura e ter muita disciplina e estrutura. Para a galera novinha, vai depender muito do perfil, mas é mais difícil funcionar.”
‘NA EAD, adaptei os estudos ao trabalho — mas só funcionou porque já tinha feito licenciatura presencial antes’
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Nayara reforça a importância da experiência em sala de aula na formação de educadores — Foto: Arquivo pessoal
Nayara Barbosa, de 24 anos, concluiu, no fim de 2023, sua segunda graduação: pedagogia, na modalidade à distância.
Segundo ela, o fato de já ter se formado antes em Letras – Licenciatura, em um curso presencial de uma universidade pública, fez toda a diferença para que a experiência fosse positiva.
“Cursei muitas disciplinas eletivas da Pedagogia quando fazia Letras. Então, já tinha passado por bibliotecas infantis, brinquedotecas e projetos com crianças em comunidades”, explica. “Como não fiquei sem essa vivência, pude usar a vantagem da EAD de estudar no meu tempo, em casa, adaptando a faculdade à minha rotina de trabalho. A experiência foi mais positiva.”
Nayara avalia que a parte prática é essencial para a formação de pedagogos.
“A distância nos afasta bastante disso. A troca entre alunos e professores em sala de aula é muito importante. [Antes da EAD], fiz faculdade em um lugar que tinha espaços lúdicos e contato direto com a comunidade. Isso enriqueceu muito a minha formação. Nos cursos à distância, nada disso existe.”
📉Entenda as mudanças na EAD
O crescimento da EAD levantou uma preocupação: como regular a qualidade dessas graduações? Foi nesse contexto que o MEC anunciou, no início de maio, a Nova Política de Educação à Distância:
✏️️As graduações de Medicina, Direito, Odontologia, Enfermagem e Psicologia deverão ser ofertadas exclusivamente no formato presencial.
✏️️Nenhum curso poderá ser 100% à distância. O formato EAD passa a exigir que, no mínimo, 20% da carga horária seja cumprida:
- presencialmente — na sede da instituição ou em algum campus externo, com todos os participantes (professores e alunos) fisicamente presentes—;
- ou por atividades síncronas mediadas (como aulas on-line ao vivo, por exemplo).

Secretária do MEC tira dúvidas sobre regras do EAD
Do G1
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