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Saúde

Autismo: mulheres são as principais cuidadoras, revela pesquisa

Mapa produzido por ONG diz que diagnóstico tem ocorrido mais cedo.

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Haja emoção nos olhos da advogada Anaiara Ribeiro, de 43 anos, quando presenciou o filho, João, de 18 anos, chegar a uma faculdade em Brasília, no Distrito Federal. “Era o sonho dele fazer o curso de jornalismo”.

Tamanha foi a realização que a mãe também resolveu se matricular e viver, com ele, a experiência da sala de aula. Ser parceirona de João em tudo é a razão da vida de Anaiara, muito antes do diagnóstico de autismo (de leve a moderado) no filho.

O laudo, que ele só teve com 8 anos de idade, foi a confirmação do que ela percebia no dia a dia e das necessidades principais do menino. Desde que João tinha dois anos de idade, Anaiara passou a correr diariamente por consultas de diferentes especialistas.

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A mãe resolveu pedir demissão do trabalho e viver como autônoma para poder dar mais suporte ao menino. Trabalha noites, feriados e finais de semana para dar conta de tudo.

“Nada faria sentido se não fosse para ver a felicidade dele, e o seu crescimento, ver onde ele já chegou hoje”.

A vida impôs a ela mais desafios ainda depois que veio o divórcio do pai de João. A cuidadora da pessoa com autismo ser uma mulher, como no caso de Anaiara, é uma realidade brasileira. Esse é um dos resultados do Mapa do Autismo no Brasil que traz respostas de 23.632 pessoas de todos os estados.

Pesquisa

Os dados detalhados só serão publicados oficialmente na próxima quinta-feira, dia 9, uma semana após o dia de conscientização sobre o autismo, hoje (2). Dessas respostas, 18.175 são de pessoas responsáveis por uma pessoa autista, 2.221 são as responsáveis e também estão dentro do espectro. A pesquisa teve ainda 4.604 respostas de pessoas autistas acima dos 18 anos de idade.

O mapeamento inédito em cenário nacional foi uma iniciativa do Instituto Autismos, que é uma organização não governamental.

“A maior parte das cuidadoras são mulheres. E grande parte dessas mulheres não estão no mercado de trabalho. Isso fala muito sobre o cuidado”, adiantou a presidente do instituto, a musicoterapeuta Ana Carolina Steinkopf, em entrevista à Agência Brasil.

<<Entenda o que é o transtorno do espectro autista

Diagnóstico precoce

No entanto, um dos dados que ela antecipou foi uma situação diferente da realidade de Anaiara Ribeiro com seu filho João, que teve o diagnóstico apenas com 8 anos. É uma novidade positiva para o país.

“A média da idade do diagnóstico tem sido igual ao dos padrões internacionais: em torno dos 4 anos de idade”, enfatiza Ana Carolina Steinkopf. Ela explica que quanto mais jovem for a pessoa diagnosticada, melhor será o caminho para os tratamentos e cuidados necessários para estímulo.

Um fator de alerta que o levantamento vai trazer é que as famílias gastam mais de R$ 1 mil com as terapias necessárias. “A maior parte tem usado planos de saúde para conseguir ter acesso às terapias”. Ana Carolina acrescenta que as famílias do Norte e Nordeste utilizam mais da estrutura do sistema público de saúde do que as outras regiões.

Sistema público

Em relação aos desafios do atendimento de pessoas com autismo no sistema público, o governo federal emitiu nota garantindo que ampliou a assistência a pessoas com transtorno do espectro autista com investimento de R$ 83 milhões.

O Ministério da Saúde anunciou que vai habilitar 59 novos serviços, que incluem Centros Especializados em Reabilitação (CER), oficinas ortopédicas e transporte adaptado. As portarias serão assinadas nesta quinta-feira. 

“Estamos estruturando uma rede cada vez mais preparada para cuidar das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no SUS, desde a identificação precoce na atenção primária até o atendimento especializado, com equipes multidisciplinares”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na nota.

Recomendações

A respeito dos resultados do mapeamento, a pesquisadora acrescentou que o poder público federal e de cada estado vai receber recomendações de melhoria no atendimento com base nesses dados. Não obstante, ela entende que tem aumentado, ano a ano, a sensibilização e a conscientização sobre o autismo.

Não invisibilizar a doença é importante, por exemplo, para que existam mais pesquisas e especialistas em autismo. No Brasil, a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é de que 2,4 milhões de pessoas sejam autistas.

Quanto mais cedo vier o diagnóstico, maior é a possibilidade de que as famílias procurem seus direitos, que vão do Benefício de Prestação Continuada (BPC) a ações de inclusão na educação, saúde e bem-estar, por exemplo.

<<Síndrome de Asperger: entenda por que o termo não é mais usado

Direitos

Assim como foram conquistas de Anayara e João. “A inclusão, por exemplo, em todos os espaços de lazer, em que a pessoa com autismo não paga ingresso e a acompanhante tem 50% de desconto”, diz a mãe.

A advogada, depois do divórcio, reconstruiu a família. Ela se casou novamente e tem uma filha desse novo relacionamento.

“Sou uma exceção. A maioria das mães que eu conheço continuam solteiras ou separadas. Os pais abandonaram, seja fisicamente e financeiramente, mas eu tive a sorte de encontrar um parceiro que assumiu a paternidade do João. Somos muito felizes”.

Agência Brasil

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Saúde

Guarabira: aprovada em 2º turno prioridade de atendimento conforme gravidade clínica

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A Câmara Municipal de Guarabira aprovou, em segundo turno, durante a sessão desta terça-feira (15), o Projeto de Lei nº 256/2026, de autoria do vereador Luize Lamarte, que estabelece a gravidade da doença e o risco clínico como critérios para definição da prioridade de atendimento nos serviços públicos de saúde do município.

A proposta determina que, além da ordem de chegada e da idade, sejam considerados fatores como gravidade do quadro, risco de agravamento e necessidade de atendimento imediato, mediante avaliação de profissional de saúde habilitado.

A matéria busca fortalecer a classificação de risco, garantindo que pacientes em situação de maior gravidade sejam atendidos prioritariamente, independentemente da ordem de chegada.

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Segundo a justificativa, a medida também contribui para a segurança dos pacientes, a humanização do atendimento e o uso adequado dos recursos de saúde, assegurando que os casos mais graves recebam atenção no tempo necessário.

Secom

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Saúde

Vereador Ramon propõe criação da campanha “Julho Neon – Mês da Saúde Bucal” em Guarabira

Após a aprovação em primeiro turno, o projeto seguirá para segunda votação na Câmara Municipal.

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A Câmara Municipal de Guarabira aprovou, em primeiro turno, nesta terça-feira (8), o Projeto de Lei nº 221/2026, que institui no município a campanha “Julho Neon – Mês da Saúde Bucal”.

De autoria do vereador Ramon Menezes (PSB), a proposta prevê a inclusão da campanha no Calendário Oficial de Eventos de Guarabira, com ações de conscientização, prevenção e promoção da saúde bucal.

Entre as atividades previstas estão campanhas educativas, palestras, ações em escolas e unidades de saúde, mutirões de avaliação odontológica e escovação supervisionada, além da distribuição de kits de higiene.

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O projeto também inclui orientações sobre a prevenção do câncer de boca e encaminhamento de pacientes para tratamento na rede municipal, quando necessário.

A programação poderá ainda ser integrada a outras ações de saúde, como atualização cadastral, aferição da pressão arterial, verificação da glicemia e atualização da caderneta de vacinação.

Após a aprovação em primeiro turno, o projeto seguirá para segunda votação na Câmara Municipal, conforme o trâmite legislativo.

Brejo.com com Secom

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Saúde

Autismo: médica lista estratégias que ajudam no atendimento a crianças

Cerca de 40% das crianças com TEA apresentam transtornos de ansiedade.

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© Paula Laboissière/Agência Brasil

Hipersensibilidade sensorial, intolerância à quebra de rotina, baixa adesão ao tratamento domiciliar, incluindo rejeição severa ao uso de óculos e tampão de olho. Essas são algumas barreiras no atendimento oftalmológico associadas ao atendimento de crianças com transtorno do espectro autista (TEA). 

A oftalmologista Raíra Fortuna destaca que cerca de 40% das crianças com TEA apresentam transtornos de ansiedade associados ao quadro, enquanto menos de 4% dos médicos especialistas relatam ter recebido algum tipo de capacitação para atender pacientes no espectro. 

Para Raíra, boa parte do que seria popularmente considerado mau comportamento durante o atendimento oftalmológico de crianças com TEA, na realidade, reflete confusão ou sobrecarga, não necessariamente oposição. 

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“É a manifestação do autismo em um ambiente pouco adaptado”, diz. 

A consequência direta é a dificuldade ou mesmo a impossibilidade de completar o exame oftalmológico, essencial para manter a saúde ocular da criança em dia. 

Estudos mostram, por exemplo, que a prevalência de estrabismo em crianças com TEA gira em torno de 41% contra 3% em crianças com desenvolvimento típico.  

Por isso, segundo a especialista, vale a pena se esforçar para atender melhor crianças que estão no espectro. 

Durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), que acontece até sábado (12), em Salvador, ela citou o caminho para uma consulta oftalmológica mais tranquila e eficaz, no caso de crianças com TEA: 

  •  preparação: a consulta começa antes da chegada do paciente, com agendamento inteligente (melhor horário do dia para garantir menos tempo de espera e ambiente mais tranquilo), questionário pré-consulta (coletar dados sobre perfil sensorial, nível de comunicação e interesses e gatilhos conceitos da criança) e fornecer previsibilidade (enviar aos pais vídeos curtos mostrando o consultório e os equipamentos). 
  •  adaptação: a proposta é reduzir a sobrecarga sensorial, oferecendo, por exemplo, uma sala de espera mais calma ou a opção de aguardar fora da sala; minimizando sons desnecessários e permitindo o uso de fones de ouvido; reduzindo a intensidade das luzes e evitando o uso de luzes fluorescentes; e permitindo que a criança traga objetos de conforto (brinquedos sensoriais ou objetos familiares). 
  •  execução: com frases curtas e objetivas, explicar o que vai ser feito; mostrar à criança os equipamentos a serem utilizados; garantir tempo de processamento das informações pelo paciente; começar por exames que demandam maior concentração; oferecer escolhas à criança (qual olho testar primeiro, por exemplo); permitir intervalos entre os procedimentos; e avisar antes de tocar a criança, evitando contato físico inesperado.

“Quando o exame não funciona, talvez o problema esteja nas formas como estamos examinando”, avalia a médica, reforçando que toda a equipe do consultório deve ser capacitada para atender pacientes com TEA. 

Ela ressalta ainda que preparar o ambiente, os materiais e as estratégias são investimentos que valem a pena.

* A repórter viajou a convite do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO)

Agência Brasil

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