Saúde
Brasil é um dos países em que a esquistossomose permanece endêmica
Com 1,5 milhão de pessoas vivendo em áreas com risco de contrair esquistossomose, de acordo com dados do Ministério da Saúde, o Brasil está em situação intermediária entre os 78 países em que a doença permanece endêmica e mostra mais de 60% da população sem acesso a esgotamento sanitário.
“Isso é inaceitável para um país do porte do Brasil e com o nível de desenvolvimento que tem”, disse à Agência Brasil o relator Especial do Direito Humano à Água e ao Esgotamento Sanitário das Nações Unidas (ONU), Léo Heller, também pesquisador do Instituto René Rachou (Fiocruz Minas). Heller participa, no Rio de Janeiro, da 15ª edição do Simpósio Internacional sobre Esquistossomose, que começa hoje (1º) e vai até sexta-feira (3).
A esquistossomose é causada pela infecção por vermes parasitas de água doce e está relacionada ao tratamento de água e esgoto. É considerada a segunda doença parasitária mais devastadora socioeconomicamente do mundo, atrás apenas da malária. No Brasil, há maior incidência na região Nordeste e no estado de Minas Gerais.
Controle ambiental
Segundo Heller, o chamado controle ambiental da doença pode evitar que as pessoas, em especial as camadas mais pobres da população, contraiam a esquistossomose. “Intervenções no ambiente, impedindo a ocorrência dos criadouros e também dando condição às pessoas para que não tenham necessidade de acesso a cursos d’água, eu defendo como soluções permanentes de largo alcance e com grande efetividade”, manifestou o pesquisador.
De acordo com o pesquisador, estudos mostram que quando há intervenção em esgotos, impedindo que esses tenham acesso a cursos d’água, ocorre uma interrupção de parte do ciclo de transmissão das doenças, esquistossomose principalmente. Quando existe também uma provisão de água adequada nas casas, as pessoas deixam de ter necessidade de ir aos cursos d’água, evitando um dos motivos da contaminação. “Há estudos que mostram que ambas as intervenções em água e esgoto têm efeito positivo no controle da esquistossomose”.
Planejamento
Para Heller, é importante que haja planejamento de longo prazo, além de investimento público nesse setor. “Não há registro na maioria dos países de situações em que se universalizou o acesso sem forte investimento público”.
Ele ressalta que os serviços devem ser prestados com base nos princípios dos direitos humanos, ou seja, em igualdade de condições, sem discriminação. Heller disse ter visto muita discriminação pelos países que visitou. “As populações que não têm serviço são em geral as mais pobres, estão na zona rural, vivem nas favelas, famílias em que a mulher é o chefe da família. São justamente populações mais vulneráveis, que não têm acesso a esse serviço e vão ter risco de desenvolver não apenas esquistossomose, mas um conjunto de outras doenças, porque já são excluídos de outros serviços”, lamentou.
Situação intermediária
O Brasil está em uma situação intermediária, mas para entrar no grupo dos 20 países mais desenvolvidos (G20), terá que resolver o problema do saneamento básico.
Na Índia, disse que a situação é muito preocupante, “certamente, pior que a do Brasil”. Em muitos lugares, a população defeca a céu aberto, uma vez que as casas não têm banheiro. “Isso, para a esquistossomose é um risco muito grande”.
Os 48 países de mais baixo desenvolvimento econômico mostram a situação pior; a maioria está na África Subsaariana e, na América Latina, o destaque negativo é o Haiti. Mesmo nas áreas urbanas, o acesso à água e esgoto é muito baixo. Em países mais desenvolvidos, a situação está mais bem resolvida, mas ainda há carência. Um exemplo é Portugal, apontou Heller.
Universalização
Léo Heller disse que a universalização do saneamento básico deveria ser prioridade dos governos. No último relatório que monitora o cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e estabelece uma linha de base para o monitoramento nos próximos 15 anos, o Brasil aparece com mais de 60% da população sem acesso adequado a esgotamento sanitário. Na avaliação do relator da ONU, isso comprova que essa agenda é negligenciada pelos governos brasileiros.
Em relação ao abastecimento de água, a situação é melhor. O Plano Nacional de Saneamento Básico, que foi publicado em 2013, mostrou 40% da população do Brasil sem acesso adequado ao abastecimento de água.
Para Heller, se ações não forem adotadas urgentemente, o Brasil não vai cumprir a meta de universalização do acesso à água e esgoto. “Universal significa não apenas nas casas, mas também nas escolas, nos hospitais, nas prisões, nos espaços públicos, em todas as instituições em que as pessoas estão fora da casa e com nível de qualidade do serviço bastante exigente”, indicou o pesquisador.
Interação
A pesquisadora do Laboratório de Educação em Ambiente e Saúde do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), Tereza Favre, assegurou que a eliminação da esquistossomose no Brasil exige a colaboração estreita de grupos de pesquisa de diferentes áreas.
Também presidente do 15º Simpósio Internacional sobre Esquistossomose, Tereza disse que nenhuma medida isolada pode interromper a transmissão da doença. O combate à esquistossomose envolve o desenvolvimento de vacinas, de medicamentos mais eficazes, de métodos diagnósticos mais sensíveis, entre outros elementos.
Fonte: Agência Brasil
Saúde
Junho Vermelho: Hospital Edson Ramalho reforça apelo por doações de sangue
Enquanto hospitais dependem diariamente de transfusões para salvar vidas, uma atitude simples é essencial: doar sangue. Em alusão ao Junho Vermelho e ao Dia Mundial do Doador de Sangue, celebrado em 14 de junho, a Agência Transfusional do Hospital do Servidor General Edson Ramalho reforça a importância da solidariedade da população e da necessidade de manter os estoques abastecidos para garantir atendimentos, cirurgias, emergências e tratamentos clínicos.
A Agência Transfusional do hospital atua diretamente no suporte às demandas assistenciais da unidade, sendo responsável pelo armazenamento, controle e liberação dos hemocomponentes utilizados nos atendimentos. O trabalho desempenhado pela equipe é fundamental para assegurar rapidez e segurança aos pacientes que dependem de transfusões.
De acordo com a coordenadora da Agência Transfusional, Marília Lima, a necessidade por doações é contínua e os estoques precisam permanecer estáveis durante todo o ano. “O sangue é um recurso que não pode ser fabricado. Dependemos exclusivamente da solidariedade das pessoas para continuar salvando vidas. Cada bolsa recebida pode fazer a diferença em momentos decisivos dentro do hospital”, destacou a coordenadora da unidade.
O diretor-geral do Hospital Edson Ramalho, Aluizio Lopes, ressaltou a importância da campanha como instrumento de conscientização e mobilização social. “O Junho Vermelho reforça uma mensagem fundamental: doar sangue é um gesto de amor e responsabilidade coletiva. Muitas vidas dependem diariamente dessa atitude simples, mas extremamente valiosa”, afirmou.
Entre os pacientes beneficiados pelas transfusões estão pessoas em tratamento clínico, pacientes cirúrgicos e aqueles que enfrentam doenças que exigem suporte hematológico constante. Para muitos deles, o sangue recebido representa a continuidade do tratamento e uma nova oportunidade de recuperação. É o caso da paciente Maria Firmino de Lima, de 44 anos, que precisou receber transfusão de sangue após ser diagnosticada com anemia severa durante a investigação de um mioma.
“Quando precisei da transfusão, percebi na prática o quanto a doação de sangue é importante. Muitas vezes a gente não imagina que pode precisar, mas esse gesto faz toda a diferença para quem está passando por um momento difícil. Hoje sou muito grata a quem doa, porque esse ato ajuda a salvar vidas todos os dias”, destacou a paciente.
Para doar sangue, é necessário estar em boas condições de saúde, pesar acima de 50 quilos, ter entre 16 e 69 anos e apresentar documento oficial com foto. As doações podem ser realizadas no Hemocentro da Paraíba, responsável pelo abastecimento das unidades hospitalares do estado.
Neste Junho Vermelho, especialmente no marco do Dia Mundial do Doador de Sangue, celebrado em 14 de junho, o Hospital Edson Ramalho reforça que doar sangue é um ato simples, seguro e capaz de transformar histórias, oferecer esperança e salvar vidas todos os dias.
Secom
Saúde
Ministério da Saúde suspende aplicação da vacina do Butantan contra dengue
Governo investiga 42 casos de reações adversas graves e duas mortes.
O Ministério da Saúde anunciou, nesta segunda-feira (8), a suspensão temporária da imunização contra a dengue no país com a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan.

A pasta informou que 42 pessoas apresentaram sintomas mais severos após a vacinação, sendo que três precisaram de internação e dois desses morreram.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que não é possível concluir que os eventos adversos foram causados pela vacina, mas representam um sinal de alerta e serão investigados por um comitê de especialistas.
“Essa descontinuidade tem um objetivo que é a ação de precaução, para que o Ministério da Saúde, a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] e o Butantan aprofundem a investigação nos 42 casos, que são episódios de reações adversas da vacina, para buscar fatores de risco nessas pessoas, fazer uma espécie de estudo de caso-controle”, disse em coletiva de imprensa.
“O Ministério da Saúde tem total confiança na capacidade institucional do Butantan”, destacou Padilha ao enfatizar a importância da vacinação para a redução e eliminação de doenças no país.
A suspensão vale apenas para a vacina produzinda pelo Butantan, e não inclui o imunizante Qdenga, produzido pelo laboratório Takeda e aplicado no Sistema Único de Saúde.
Até o dia 30 de maio, pouco mais de 500 mil doses da vacina do Butantan foram aplicadas em todo o país. O imunizante foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em janeiro deste ano. Na ocasião, o Ministério da Saúde adotou a estratégia de vacinação para avaliar o impacto do imunizante na dinâmica populacional da dengue.
Para isso, passou a vacinar a população em três municípios-piloto: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Nessas localidades, o público-alvo é composto por adolescentes e adultos de 15 a 59 anos, que é a indicação aprovada para o Programa Nacional de Imunizações (PNI). Em março, também foi promovida uma ação de vacinação na região de Araguaína (TO).
Em fevereiro, o SUS passou a vacinar contra a dengue os profissionais de saúde da atenção primária, com a previsão de imunizar 1,2 milhão de trabalhadores da linha de frente, de unidades básicas de saúde, por exemplo. Os casos graves registrados foram identificados nesse público-alvo.
O Ministério da Saúde destaca que a decisão de descontinuar a estratégia de vacinação não invalida a eficácia do imunizante. E as pessoas que foram vacinadas ainda usufruem do benefício que a vacina oferece, que é a proteção contra a dengue.
A recomendação do sistema de farmacovigilância dá mais tempo para que sejam realizados estudos adicionais para encontrar eventuais fatores de risco.
Serão investigados o histórico clínico das pessoas, as doenças preexistentes, os fatores de risco individuais, as causas alternativas, possíveis desvios de qualidade e erros de imunização.

Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou a suspensão temporária da estratégia de aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. Frame: MS/Youtube – MS/Youtube
Casos graves
A vigilância é permanente e parte da rotina do PNI, com fluxo de investigação posterior. Os casos graves foram analisados pelo Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e outros Imunobiológicos (Cifavi) e pela Câmara Técnica de Assessoramento em Imunizações (Ctai), que recomendou a suspensão da vacinação com o imunizante do Butantã.
Das pouco mais de 500 mil doses aplicadas em todo o país, 3.703 pessoas tiveram sintomas parecidos com os da dengue – 0,7% do total de vacinados.
Desses, 42 apresentaram sintomas de alarme, que são: dor abdominal, vômito persistente ou sangramento – 0,008% dos vacinados – eventos raros, porém inesperados, já que não foram relatados durante a fase de estudos da vacina.
Três pessoas apresentaram sintomas graves e foram hospitalizadas:
- Uma mulher, 39 anos, apresentou febre, mialgia e náuseas seis dias após receber a vacina, evoluindo para sintomas de dengue grave, com choque e necessidade de UTI; recebeu alta.
- Uma mulher, 48 anos, desenvolveu sintomas de dengue grave, com comprometimento neurológico (meningoencefalite) 19 dias após a vacinação; evoluiu para óbito.
- Um homem, 58 anos, iniciou quadro febril cinco dias após a vacinação, evoluindo rapidamente para sintomas de dengue graves, com choque refratário; evoluiu para óbito.
Observação
Segundo o ministro Alexandre Padilha, a população que recebeu a vacina do Instituto Butantan nos últimos 21 dias terá um acompanhamento especial para identificar algum sinal ou qualquer outra reação adversa.
A orientação do Ministério da Saúde é procurar uma unidade de saúde em caso de intensificação dos seguintes sintomas: febre, dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência intensa, irritabilidade, sinais de desidratação ou piora do estado geral.
Reavaliação da estratégia
Em nota, o Instituto Butantan informou que a vacinação contra a dengue será temporariamente interrompida para reavaliação da estratégia vacinal. A medida visa garantir a segurança da população nas próximas etapas da vacinação.
“O Instituto Butantan, como já demonstrado em casos recentes, seguirá trabalhando com o mais absoluto rigor para aprofundar as informações sobre o uso da vacina para que, em se confirmando sua segurança, a vacinação possa ser retomada em breve, com toda a tranquilidade para a população atendida pelo SUS”, disse a instituição.
Segundo o Instituto, a vacina teve eficácia global de 79,6% e 89% contra a dengue grave em estudo publicado em revista científica internacional. Nos três municípios onde houve vacinação em massa da população, o acompanhamento de farmacovigilância se mostrou positivo, sem casos importantes de reação adversa na população.
Veja mais detalhes no Repórter Brasil da TV Brasil:
https://youtube.com/watch?v=-5h-iSooz9o%3Fsi%3D1bw5EzorA4jPqxU5%26start%3D21
*Texto ampliado às 18h08 para acréscimo de informações
Agência Brasil
Saúde
Senado Aprova: Divulgação de sintomas e sinais clínicos do câncer infantil
As campanhas de conscientização sobre câncer em crianças e adolescentes deverão priorizar a divulgação dos sintomas e dos sinais clínicos da doença. A Política Nacional de Atenção à Oncologia Pediátrica já prevê a realização de campanhas de conscientização sobre o câncer infantojuvenil, mas não detalha os assuntos a serem abordados. A proposta também prevê a capacitação de profissionais de saúde, principalmente da atenção primária, para a identificação de sinais e sintomas em crianças. A medida está prevista no PL 1.986/2024, projeto de lei aprovado pelo Senado na última terça-feira (2). Agora o texto vai à sanção da Presidência da República.
O projeto que reduz o limite permitido de chumbo em tintas e em materiais similares de revestimento de superfícies também foi aprovado em Plenário na terça. O texto estabelece regras mais rígidas para o uso de chumbo, alinhando o Brasil aos padrões internacionais de proteção à saúde. A lei em vigor (Lei 11.762, de 2008) permite um conteúdo de chumbo em tintas imobiliárias, de uso infantil e escolar, vernizes e materiais de revestimento de no máximo 0,06% (600 partes por milhão – ppm) em peso. O novo limite será de 0,009% (90 ppm). O PL 3.428/2023, da Câmara dos Deputados, teve parecer favorável do relator, senador Laércio Oliveira (PP-SE), e segue para sanção presidencial.
Saiba mais
Câncer infantil: campanhas de conscientização terão foco em diagnóstico precoce
Redução de chumbo em tintas segue para sanção
Senado susta norma do Conanda sobre aborto em crianças e adolescentes
Proposições legislativas
Fonte: Agência Senado
-
Cidades4 dias atrásINTEGRAÇÃO: Polícia Civil participa de reunião de alinhamento estratégico para o São João de Campina Grande
-
Cultura2 dias atrásSÃO JOÃO: Confira as alterações de expedientes previstas para o feriado junino em Guarabira
-
Cultura5 dias atrás‘Junho em Guarabira’ começa nesta sexta-feira com shows de Solange Almeida e Eliane
-
Cinema5 dias atrásDia D estreia no Cinemaxxi Cidade Luz com uma épica história de ficção científica
-
Policial4 dias atrásDCCPAT: Polícia Civil conclui primeira fase de operação que prendeu cinco falsos profissionais de Educação Física
-
Guarabira7 horas atrásSP Variedades em clima de Copa do Mundo e São João
-
Policial3 dias atrásCRIME AMBIENTAL: Polícia Civil autua responsável por granja de galinhas pelo crime de poluição
-
Cidades3 dias atrásPrimeira-dama participa de debate sobre equidade de gênero e liderança feminina no judiciário paraibano, em Bananeiras






